Diablo® III

O Exílio

O seguinte trecho é retirado das escrituras de Jhalim'hasar, mago do então extinto Clã Vizjerei, o primeiro mortal a descobrir sobre a queda dos três grandes males.

Escrevo, a partir de hoje, as minhas recentes descobertas em relação aos antigos rituais de invocação de demônios do meu clã. Estudei continuamente os tomos de minha ordem, procurando toda e qualquer referência aos rituais, pois estabeleci como objetivo reaver a glória do meu clã através do reaprendizado das técnicas de invocação. É um trabalho árduo, tudo que eu tive ao meu favor eram informações relevantes ao que os meus ancestrais chamavam de “parâmetros de invocação”. Descobri duas maneiras para trazer as criaturas infernais até o nosso mundo e percebi que, independente da maneira, o ritual não seria seguro. O primeiro método envolve algo que se assemelha a força bruta, porém no âmbito mágico: um demônio, completamente aleatório ou, para os magos mais poderosos, escolhido a dedo, é puxado do reino infernal diretamente para este mundo, sem aviso ou consentimento, e então ocorre uma luta de vontades, a fim de dominar o monstro. O segundo método, muito mais interessante, envolve a comunicação prévia com a criatura, para que esta seja “convencida”, diga-se de passagem, a adentrar o mundo mortal e servir ao mestre invocador. Tenha em mente, caro leitor, que apenas um pequeno número de demônios é capaz de se comunicar e, ainda mais raro, racionalizar.

Escolhi, então, o segundo método. Acreditei firmemente que, para atingir qualquer nível de sucesso na invocação, teria apenas meu intelecto como aliado. Meu maior desafio seria encontrar um demônio apto para o teste e eu tive medo de que, na tentativa de entrar em contato com algum demônio, meus esforços me levassem até a mente de um mal maior, inconcebível e inexplicável. O primeiro ritual levou horas e foi completamente infrutífero. O cansaço mental é extremo. Me senti impregnado pela maldade e corrupção da mente de um demônio que eu julguei ser fraco e incapaz de comunicação. A sensação é quase inexplicável: havia apenas mal e escuridão em sua mente e, curiosamente, pude sentir que o demônio vagava sem rumo e sem “razão”, se é que podemos dizer que demônios tem alguma razão. Tal sensação não foi, de acordo com o que li, observada por nenhum outro conjurador do meu clã.

Foi o segundo ritual, no entanto, que me levou a escrever este relato. Percebi, logo nos primeiros segundos, que o demônio mentalmente em contato comigo era não só poderoso, mas inteligente. Fui tomado por um ódio sem igual, e vi na mente do demônio cenas de morte, destruição e tortura. Vi um forte caíndo e exércitos de criaturas que me pareciam anjos sendo esmagadas por uma legião de demônios organizados. Vi um pássaro negro austero, com asas de ferro retorcido, se elevando perante as muralhas do forte caído, enquanto gritos de vitória emanavam ao seu redor. A medida que a visão mudava de aspecto, pude ver que não era um pássaro que se elevara nas muralhas, e sim um demônio sem igual. Seu elmo de ferro negro, na forma de um pássaro com asas abertas, desmontrava a sua importância perante os outros demônios, que nada usavam além de armas velhas e retalhos de couro. O demônio queria me mostrar com quem eu estava lidando: um grande general dos exércitos infernais.

O medo tomou conta e, por um momento, pensei que minha mente estava perdida para sempre pela loucura do que ele me faria ver e ouvir. Mas momentos se passaram sem que nada ocorresse. Era como se ele estivesse esperando pela minha iniciativa. Preciso especificar, caro leitor, que a comunicação neste tipo de ritual é não-verbal. A única maneira de expressar-se é através de sentimentos, emoções e visões. Não tive coragem de expressar a minha vontade de subjugá-lo, pois pensei que isso despertaria sua fúria e causaria a minha morte. Em vez disso, mudei o foco da minha missão, e passei a buscar informações. Demonstrei minha vontade de saber quem ele era e a quem servia. Logo que perguntei, a sensação de ódio foi intensificada, tudo que eu via eram cenas de batalha e carnificina. A verdade me atingiu como um soco: este era um demônio a serviço de Mephisto, o Senhor do Ódio.
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Logo que constatei a verdade, tentei me livrar da conexão e terminar o ritual, mas eu não pude me mecher.Entendi, então, o significado do termo “batalha de vontades”. O demônio jamais me deixaria ir, e eu não podia deixar que ele me dominasse. Pude sentir o demônio olhando em meu passado, vasculhando as minhas memórias. Senti-me nu, desprovido de proteção, enquanto ele visualizava cada um dos grandes momentos de minha vida. Ouvi a sua risada, caçoando do meu amor pelas jovens que encontrei em minhas viajens, das palavras sábias do meu velho pai. Mais uma vez, senti ódio, mas dessa vez o ódio vinha de dentro de mim, pois desejei matar aquela criatura que ria de tudo que um dia foi importante para mim.

E, por ironia do destino, foi o mesmo ódio idolatrado pela criatura que me deu forças para lutar e resistir. Não fui capaz de discernir quantas horas se passaram até que a vontade de ferro do demônio fosse quebrada. Enquanto eu enfraquecia o demônio com os mesmos sentimentos dos quais ele se utilizava, mais visões tomaram conta da minha mente. Foi então que presenciei a hora mais negra do Inferno Ardente. Vi os três males primordias, Mephisto, Baal e Diablo, comandando um pequeno número de demônios contra uma vastidão horrenda de criaturas de todos os tipos. Protegidos atrás das fileiras infinitas de seus exércitos, estavam os males menores: Azmodan, Belial, Andariel e Duriel. Pude discernir, em meio a batalha, o elmo negro na forma de pássaro do meu oponente e, na fenda negra dos olhos, por onde escapava uma luz vermelha intensa, eu vi medo e desespero.
Foi a primeira vez que vi um demônio se acovardando perante a batalha e gritando de frustração enquanto via o seu mestre, Mephisto, ser derrotado e aprisionado pelos males menores. Senti o ódio fluir através do seu corpo negro, e vi o grande general virar as costas e fugir do campo de batalha. Foi assim que encontrei a fraqueza do meu inimigo. Era um general quebrado, derrotado, cujo senhor foi aprisionado por não ter sido forte o bastante. Joguei a verdade contra ele e, em questão de momentos, meu oponente recuou e me libertou de sua vontade.

Tomado pelo ódio e pela sede de vingança, continuei a torturá-lo e buscar na sua mente as visões que me interessavam. Vi, então, algo que encheu meu coração de terror e finalizou de uma vez por todas a ligação estabelecida com o demônio: um grande portal vermelho, no coração do Inferno Ardente, elevava-se além do limite da minha visão. Através do portal, com o peso da dor causada pela verdade, pude ver os contornos dos continentes de meu amado mundo. A ilha de Xiansai, a imponência de Arreat, as planícies verdejantes de Khanduras. Não havia dúvida, os três grandes males, derrotados e enfraquecidos, foram exilados para o nosso mundo.

Estou fraco e temo que minha batalha com o demônio custará a minha vida. A cada dia que passa, sinto meu corpo definhar e minha mente enfraquecer. Já não consigo mais praticar magia. Procurei todo o tipo de autoridade religiosa, militar e política, mas meus avisos foram em vão. Ninguém acredita em mim. Se o que eu vi realmente aconteceu, que o Paraíso Celestial nos ajude.
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Muito bom este texto.
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Baaaaaaaaaahhhh... me senti no clima do Exílio dos Grandes Males!
Muito bom o teu texto! Ótimo!
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Meu Deus alguém dê ouvidos a ele!!!!!!!!!!! huahuahauauh

muito bom seu texto, adorei
Editado por XxBerserkxX#1828 em 14/07/2012 15:05 BRT
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De fato excelente! Fiquei completamente imerso na leitura!
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Nossa muito bom. Horazon e Bartuc teriam inveja kk. Parabéns
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