Diablo® III

Eu aceito meu destino

Muitos pais contam histórias para seus filhos antes de dormirem. Uma lenda não muito contada pelos povos de Santuário é a lenda do Salvador, alguém que dizem que já salvou o mundo de Santuário uma vez, há alguns anos. Vayolet adora ouvir essa história antes de dormir, que quase todo o dia pede para seu pai para lhe contar.

- Você não enjoa de ouvir essa história não filha?

- Não papai. Por favor, me conte mais uma vez.

Uma casa humilde, que viviam quatro pessoas em um pequeno povoado chamado Gardens’Hill, nas terras de Westmarch. Vayolet adorava a torta de maçã da mãe, que sempre pegava o maior pedaço só para não dividir com sua irmã mais velha. Mitrian, o pai, era ferreiro. Já havia forjado muitas espadas para o reino de Westmarch, principalmente na batalha contra Khanduras, mas estavam em uma época difícil. Sem clientes, dificilmente conseguirá sustentar sua esposa e filhas.

Vayolet era uma criança rebelde. Uma menina que desaparecia de casa sem avisar seus pais, deixando-os muito preocupados.

- Lanya, vá procurar sua irmã. Ela sumiu desde cedo. Diga a ela para vir para casa agora almoçar.

- Toda vez é a mesma coisa. Vayolet some e sempre eu que tenho que procurá-la. Já estou farta disso.

Mal sabiam que a garota estava no rio, um lugar perigoso para uma criança de sete anos brincar sozinha. As pessoas do povoado viviam dizendo que seus pais eram irresponsáveis, devido à garota sumir repentinamente todo o tempo.

- Você esta aí. Venha logo, vamos almoçar. Mamãe esta uma fera com você.

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Depois de dez anos, Mitrian decide se mudar. Gardens’Hill já não era o melhor lugar para sua família. O pai temia que a fome batesse em sua porta, e essa era a ultima coisa que queria que acontecesse.

- Eu não vou - Disse Vayolet, já uma jovem.

- Pare com isso agora e me obedeça. Lembre-se que estamos nos mudando para o bem de nossa família. Você não se preocupa com sua irmã e com sua mãe?

- Eu cresci aqui e não quero ir embora. Se vocês quiserem, podem ir. Eu não ligo.

Calys, a mãe, segura o braço de Mitrian, evitando que o mesmo bata em sua filha rebelde. Lanya tenta convencer a irmã de que esta fazendo a coisa errada.

- Quando que você vai crescer Vayolet? Não há nada de especial neste lugar. Você está magoando a mamãe, será que não vê? Você devia agradecer ao papai para estarmos indo embora deste lugar.

- Agradecer? Quer que eu diga obrigado por estarem me tirando daqui a força? Deixem-me em paz.

Vayolet sai correndo pela porta da casa, tomando o rumo do rio que sempre gostou de ir.

- Acalme-se meu amor. Vayolet esta passando por uma fase difícil. Logo ela se arrepende e volta pra casa - diz Calys para seu marido.

- Devíamos ir e deixa-la aí. Era para estarmos indo embora agora, mas estamos aqui por causa da birrenta da Vayolet. - Diz Lanya, inconformada com a atitude da irmã.

As horas passam e a noite cai. Vayolet esta sentada a beira do rio, que passou horas pensando no que tinha feito, querendo, de certa forma, convencer-se de que estava certa. Derrepente um repentino medo e preocupação lhe toma. A garota se levanta e começa a caminhar para casa com passos largos. Ela chega ao topo de uma pequena colina e tem uma horrenda visão. As casas estão pegando fogo. Pessoas gritando. Uma leve névoa negra aparece sobre o brilho das chamas das casas.

Vayolet desce a colina correndo em direção a seu povoado, e tem a mais horrível experiência de sua vida. Ver sua família sendo massacrada por demônios infernais.

- Não... NÃO

Os demônios a avistam. Vayolet não tem outra escolha a não ser correr... Correr o mais rápido possível.
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No dia seguinte, corpos de pessoas para todos os lados, alguns desmembrados, típico ato de ação demoníaca. Vayolet, sem dormir e sem acreditar na horrível visão que teve, volta para Gardens’Hill. Os poucos sobreviventes do ataque viram Vayolet chorar como jamais viram antes. Uma garota que não respeitava seus pais, que desaparecia de casa sempre, deixando-os preocupados, agora chorava lágrimas de tristeza e arrependimento.

- Calma menina, por favor. Você não podia ter feito nada. - Diz Kassandra, a sacerdotisa do povoado.

Vayolet em prantos e desesperada diz.

- Eu podia. Eu podia sim. Eu matei minha família. Agora estou sozinha neste mundo. Perdi tudo que tinha valor pra mim. Agora não me resta mais nada.

Os poucos sobreviventes do massacre ofereceram apoio e moradia para Vayolet, mas a mesma se recusa e decide vagar pelo mundo, sem rumo nem direção.

Uma semana se passa. Vayolet não consegue comer absolutamente nada desde a morte de sua família. Um vazio imenso tomou conta de seu mundo. Nada pode fazê-la se sentir melhor, nada. O ódio começa a tomar conta de sua alma ao lembrar dos demônios destruindo sua terra natal, sua família, sua vida. Até que a jovem chega a um penhasco durante a noite clara iluminada pela lua cheia. A vontade de reencontrar sua família é muito grande, de pedir desculpas a seu pai, comer a torta de maçã de sua mãe, andar a cavalo com sua irmã.

- Acho que esta noite vou vê-los novamente - Pensa Vayolet em voz alta, com um grande indício de que irá se atirar do penhasco.

Uma voz ecoa em sua cabeça, sentindo uma rápida dor e um grande alívio logo em seguida.

- Não faça isso.

Vayolet olha ao seu redor, mas só vê muitas árvores em suas costas, e uma bela paisagem a sua frente, enxergando montanhas bem distantes.

- Quem disse isso? - Diz a garota em voz alta. - Vai ver foi só meu subconsciente.

Vayolet então se senta na beira do penhasco, e olhando para a lua cheia, começa a derramar lágrimas de tristeza.

A jovem começa a pensar no quão frágil são os humanos, e como ela gostaria de ter feito algo para salvar sua família, em alguns momentos se arrependendo de sua rebeldia. No entanto, ela escuta um som que se assemelha a passos vindo em sua direção. Assustada, Vayolet se vira para ver do que se trata, quando vê uma pessoa com um manto e um grande capuz que cobre toda a face, deixando apenas a boca e o queixo à mostra, tornando impossível de se ver o rosto.

Vayolet se assusta, por pouco não escorregando penhasco abaixo.

- Quem é você? O que quer?

A pessoa misteriosa senta ao lado de Vayolet, e com uma voz feminina responde.

- Eu sei o que se passa em sua mente. Em sua memória. Eu posso ajudá-la a lidar com isso.

Um breve momento se passa, e a garota diz.

- Como pode saber dos meus problemas? Eu nem te conheço. Como diz que pode me ajudar assim?

A mulher tira o capuz, revelando um rosto com uma breve cicatriz pegando da testa até o lado direito da bochecha, com cabelos negros até os ombros e olhos como se já tivessem visto a verdadeira face do inferno. Então ela responde.

- Você só é mais uma vítima das mãos infernais. Mas lembre-se que você tem a chave para sua vingança. Não deixe que suas memórias a destruam desse jeito. As conseqüências vieram antecipadamente. Agora você não tem nada a perder.

- O que você quer dizer com isso?

- Vá amanhã à casa ao lado da estalagem. Te esperarei lá.

A mulher então se levanta, coloca o capuz e se vai.

Vayolet fica olhando a mulher ir embora com um olhar intimidador, típico de uma pessoa que não confia em ninguém.

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No dia seguinte ao amanhecer, Vayolet lembra do convite que a mulher misteriosa lhe fez. Chega a passar algumas vezes em frente à casa ao lado da estalagem no decorrer do dia, mas se recusa a chamar alguém. Mas algo parece que lhe perturba, como se ela tivesse o dever de visitar aquela casa, como se algo a ficasse chamando sem parar. Foi então que decididamente Vayolet bate a porta da casa.

A porta abre, porém parece que ninguém a abriu, fazendo um som como se as dobradiças estivessem enferrujadas. Vayolet não consegue enxergar nada no lado de fora, como se uma grande sombra estivesse no interior da casa. A garota vira-se pronta para ir embora com passos rápidos, quando escuta a voz da mulher misteriosa dizendo:

- Vai aonde? Entre.

Vayolet vira-se de frente para a casa, limpa os pés como costumava fazer em sua antiga casa e entra.

Dentro da casa a garota vê móveis velhos, alguns como se estivessem sido totalmente corroídos por cupins, uma escada que dá ao segundo andar da casa, com as janelas fechadas, tornando o lugar um ambiente sombrio.

Vayolet vira-se procurando a mulher. A mesma esta atrás da porta que a fecha, com um manto semelhante ao que estava usando na noite passada.

- Assustei você? - disse a mulher.

A garota não responde, como se o medo a tomasse conta totalmente.

- Não tenha medo de mim, não levarei muito tempo. Quero apenas contar-lhe uma breve história. Sente-se.

- Não me diga que você me chamou aqui apenas para me contar uma história? - diz Vayolet num tom de indignação.

- Noto que há algo em você. Algo que vi em uma outra jovem há quatorze anos atrás. Percebi que você não confia muito em mim, mas acredite, quero ajudá-la.

Vayolet, um tanto quanto tensa, começa a ouvir o que a mulher tem a dizer.

- O Salvador... Eu o conheci.

Vayolet abre um breve sorriso irônico e diz.

- Por favor. Não me venha com essa. Você me chama aqui para me contar histórias pra dormir? O Salvador é apenas uma lenda, não existe e nunca existiu. Vou embora.

A mulher então, um tanto impaciente, responde.

- Sim eu o conheci. O Salvador na verdade é uma mulher. Uma jovem assim como você.

Vayolet então para e começa a ouvir com atenção, sentada em uma cadeira junto a uma mesa, que continha um copo vazio.

- O Salvador era uma moça, pertencente da ordem Viz-Jaq'taar. A mesma, com suas próprias mãos matou Diablo e seus irmãos, há quatorze anos.

- Como você a conheceu?

- Eu estava em uma missão de reconhecimento nas terras de Kurast, quando a vi pela primeira vez. Eu duvidei de sua capacidade, mas a mesma superou qualquer expectativa que um ser humano possa superar. Derrotou Mephisto. Adentrou ao inferno pelo portal infernal. Derrotou Diablo e quebrou sua pedra d'alma e de seu irmão na forja do inferno. Viajou para as terras de Harrogath e matou o ultimo dos males supremos, Baal. O Salvador não é uma lenda, todas as histórias sobre ele, digo, ela, são verdadeiras.

- E nunca mais você a viu?

- O paradeiro dela é totalmente desconhecido. Ouvi rumores que ela se suicidou, devido aos horrores que vivenciou no passado, porém eu não acredito nessa teoria.

Vayolet então começa a acreditar na mulher, que pergunta para ela prontamente.

- O que você vê em mim?

- Você tem motivação. Vejo esperança em seus olhos. A mesma esperança que vi nos olhos da jovem. Aceite seu destino e lute contra as hordas do inferno. VINGUE
SUA FAMÍLIA. VINGUE A VOCÊ MESMA.

Vayolet ao ouvir as palavras da mulher, lembra do quão era boa sua vida, quando brincava com sua irmã quando criança. O amor de seu pai e de sua mãe. Tudo acabado. Tudo perdido devido a atos infernais.

- Eu aceito meu destino. Vingarei minha família.

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Seis anos se passaram. Rumores de que demônios estão assombrando diversos cantos de Santuário começam a aparecer. Vayolet passou por um longo treinamento com a mulher misteriosa, que adentrou a habilidades físicas e perceptivas, fazendo uso de bestas, boleadeiras, armadilhas e outros dispositivos das sombras. Estava pronta finalmente. A caçadora de demônios.

As duas se encontravam nas florestas ao sul das montanhas de Duncraig, em um dia ensolarado. Os raios de sol passavam pelas grandes arvores da floresta, deixando um ambiente calmo e tranqüilo. A mulher misteriosa passava para a jovem seus últimos ensinamentos.

- Seus dias de treinamento acabaram Vayolet. Você esta mais do que pronta. Lembre-se que disciplina é o ponto alto para controle de seu ódio.

- Sim - Responde Vayolet, transformada em uma perigosa e bela mulher, porém com um objetivo mortal.

- Aceite minha armadura como presente de despedida. Saiba que nela esta contida toda minha fúria ao inferno. Garanto que lhe protegerá contra qualquer ato infernal que possa cair sobre você.

A mulher então começa a se despir de sua armadura, entregando cada peça para Vayolet, que a veste em seguida.

A mulher então lhe dá um abraço. Um longo abraço que faz com que Vayolet lembre-se de sua querida mãe. Ao partir, ela vira-se e faz uma ultima pergunta para a mulher.

- Convivi com você durante todos esses anos te chamando apenas de mentora. Porém agora quero saber qual seu verdadeiro nome.

A mulher misteriosa responde.

- Dificilmente você me verá de novo. Meu nome... é Natalya. Há anos reneguei meu modo de vida para adentrar ao modo de combate dos caçadores de demônios.

- Então nunca mais a verei de novo?

- Quem sabe. Se os altos céus assim o quiserem, verei você novamente.

Os olhos de Vayolet se enchem de lágrimas, e pela primeira vez, ela diz algo que deveria ter dito ao seu pai há muitos anos, desde a morte de sua família.

- Obrigado.

Vayolet então parte para sua vingança, tomando rumo ao norte que vai direto para nova Tristram, onde um misterioso meteoro caiu sobre a cidade.
Natalya vira-se e parte também. Uma lágrima escorre de seu rosto, lembrando quando Nadiah, a assassina da ordem Viz-Jaq'taar, lhe disse algo há 20 anos atrás: "Eu aceito meu destino".

Douglas Carvalho
Editado por Limp#1964 em 13/06/2012 09:05 BRT
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História muito boa, parabéns
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Belíssima história! Obrigado por compartilhar conosco!
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Obrigado. Logo vou estar postando outro conto!
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Até me arrepiei, 10/10
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