Diablo® III

Diário Sanguinário

Vejo-me aqui neste belo lugar cheio de luz, harmonia, beleza. Talvez os deuses sentiram piedade da minha alma, pois sempre procurei o bem para as pessoas e lutar defendendo a justiça no mundo. Desde pequena que tenho esse tipo de pensamento, pois já cheguei a machucar um amigo meu só pelo fato dele maltratar um inocente coelho da floresta em minha infância.

É triste lembrar de certos momentos, mas tristeza é um sentimento que eu não deveria sentir aqui no paraíso. Por que será? Creio que toda a corrupção em mim tenha se extinguido totalmente, pois se não fosse assim eu estaria sofrendo nas profundezas do inferno neste momento. Mas apesar da tristeza, sinto também alegria. Alegria de saber que cinco dos sete males do inferno foram mortos para sempre. Alegria de saber que minha morte não foi em vão e que, de certa forma, eu fui vingada.

Muito bom lembrar dos momentos das reuniões que minha grande amiga e líder Kashya fazia em nosso monastério, enquanto eu e as outras renegadas ouvíamos suas ordens com atenção. Lembro-me de suas discussões com Gheed, que eram de certa forma engraçadas às vezes. Mas com toda certeza nunca vou me esquecer de uma pessoa, minha irmã, Amplisa.

Não sei quais foram os sentimentos de Amplisa quando me tornei capitã das renegadas. Senti um breve ciúme vindo de sua direção, mas ora, eu passei em todos os testes e desafios que as outras líderes da irmandade do olho cego propuseram. Dificilmente eu errava o centro do alvo nos testes de pontaria, enquanto que Amplisa dificilmente acertava o centro do alvo. Brinquei com ela muitas vezes quando ela errava, dizendo: "você é minha irmã do olho cego, pois não consegue acertar de jeito nenhum". As pessoas davam risadas, enquanto que ela dava um breve sorriso irônico, como que não tinha gostado nada da minha inocente brincadeira.

Recordo-me do grande abraço que ela me deu quando me tornei capitã. Estava receosa achando que ela não iria gostar nada disso, pois afinal de contas, nós disputávamos a mesma posição. Lembro-me dela pessoalmente me entregar o arco que Kashya mandou Charsi fazer exclusivamente para a renegada que se tornasse capitã. Mas claro que queria, sendo capitã ou não, que ela continuasse me amando tanto como irmã quanto como amiga, assim como Kashya é comigo.

A breve despedida que dei antes de seguir viajem a Tristram foi um dos últimos momentos que tive com Amplisa. Ela não era boa o suficiente ainda, apesar dos grandes treinamentos que tivemos. Ela me acalmava e me ajudava a recrutar nossas irmãs renegadas para a missão que Kashya nos havia de dar. Queria muito que minha irmã fosse junto conosco, mas as ordens de Kashya eram severas, apesar da nossa amizade.
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Comigo foram Hannah, Oriana, Diane, Liene, Meghan e Gaile. Nossa missão era chegar a Tristram para então ver o que se passa na cidade, pois relatos de uma renegada que estava sobre os arredores da cidade disse a nossa líder que os moradores estavam fugindo de lá aos montes, e nos foi dada a tarefa de ver o que se passa no local. Chegamos a um monte onde notamos uma estranha atmosfera demoníaca que pairava sobre a cidade, e logo eu e minhas companheiras notamos o perigo que nos esperava. Percebi que foi melhor que Amplisa ficasse em nosso monastério, pois seu despreparo poderia ocasionar em sua morte. Esperei muito que a mesma treinasse e se aperfeiçoasse bastante para quando eu voltar de minha missão, para que possamos disputar mais uma vez no tiro ao alvo e que ela não continue sendo minha "irmã do olho cego".

Foi quando conheci Deckard Cain. Eu conversei bastante com este senhor enquanto minhas companheiras investigavam a cidade. Fiquei muito surpresa ao saber que ele era o ultimo dos Horadrim. Lembro quando Akara contava relatos a seu respeito, enquanto caminhávamos pelo claustro interno do monastério.

Mal sabia que minha perdição estava por vir. Lembro-me bem de adentrar àquela maldita catedral junto com um mago que se dizia ser do extinto clã Vizjerei, e um guerreiro que apenas dizia em salvar seu irmão a banir o poder maldoso que tomou conta da cidade, enquanto minhas companheiras guardavam a cidade contra qualquer ato demoníaco que possa aparecer. Lembrar das atrocidades daquelas catacumbas me preocupava ainda mais com nosso monastério, principalmente com minha amiga e líder Kashya e com minha adorada irmã Amplisa, mas minhas preocupações chegaram a um ápice, pois vivenciei tamanho ato infernal que comecei a sentir diferenças em minha personalidade. Não sei o que se passou quando o guerreiro voltou das profundezas das catacumbas da catedral, mas ver aquela ferida em sua testa só me deixou mais atribulada do que jamais fiquei, nem mesmo quando entrei na sala daquele horrível demônio carniceiro.

Gostaria muito de ser a mesma pessoa que deixou nosso monastério para viajar para Tristram, pois depois que eu e minhas companheiras voltamos de nossa missão, eu nunca mais fui a mesma. Lembro-me de um dia Akara e Charsi me perguntar o que havia de errado em meus olhos, que pareciam que a cada dia estavam cada vez mais vermelhos. Comecei a me afastar das pessoas, até mesmo de minha irmã, que sempre me perguntava o que havia de errado comigo, mas sempre lhe respondia que não era nada.
Editado por Limp#1964 em 29/07/2012 17:56 BRT
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Ora, pra quem retornou de uma experiência perturbadora, nada podia me deter na missão em nosso antigo monastério, pois depois de nove meses que retornei de Tristram, nosso monastério continua sendo controlado por Andariel, um demônio que invadiu nosso lar e começou a corromper minhas irmãs renegadas. Amplisa como sempre estava ao meu lado, me auxiliando na escolha de nossas irmãs para esta missão perigosa, no acampamento que instalamos longe de nosso monastério. Graças aos céus que muitos de meus amigos conseguiram fugir de um lugar que um dia chamamos de lar. Mas o recrutamento já estava feito, pois Hannah, Oriana, Diane, Liene, Meghan e Gaile me acompanhariam novamente.

Sim, minha experiência em Tristram foi horrível, mas nada se igualou ao que aconteceu. Você ter que matar suas próprias companheiras é algo terrível para uma renegada. Eu, a capitã, atirando uma flecha que varou a barriga de Meghan, outras flechas que acertou a cabeça de Diane e Oriana, mais flechas que traspassou o peito de Hannah e Gaile. Lembro-me de tremer de pavor no que estava acontecendo, pois se não as matasse, elas me matariam, pois minhas queridas irmãs de luta foram corrompidas por Andariel.

Eu estava totalmente perdida, chorando muito, vendo Liene apontar sua flecha para mim. Desculpe-me, por favor, Liene, mas não há nada que eu possa fazer. Andariel tinha que morrer pelo que ela fez naquela noite, maldita dos infernos.

Não há nada que descreva o meu medo naquele trágico dia. Ver minhas companheiras mortas foi horrível e devastador pra minha alma, ainda mais saber que eu que tive que mata-las, mas a pesar de assustada e tremula, eu tinha que por um fim nisso. Andariel encontrava-se abaixo do claustro interno do monastério, onde eu e Akara adorávamos conversar sobre contos. Não sei por que vejo minha adorada irmã Amplisa morta em meus pensamentos, talvez seja por causa da imagem de Hannah morta no chão, pois as duas se parecem bastante. Não queria que nada tivesse acontecido comigo. Não foi uma missão suicida. Alguém tinha que faze-la e esse alguém tinha que ser eu, mas meu fracasso foi um fato. Gostaria muito que a ultima imagem em meus olhos fosse dos meus amigos do monastério e da minha irmã, mas infelizmente a ultima imagem que vi foi de Andariel, um ser demoníaco e horripilante, que murmurara palavras desconhecidas enquanto me corrompia. Seria ironia do destino ver aquela imensa poça de sangue no chão da catacumba, pois "corvo sanguinário" nunca foi um nome que eu gostei. Não sei por que Kashya me deu este "titulo" quando me tornei capitã, mas isso agora é algo que não irei saber nunca mais.

Infelizmente meu destino foi certo. Uma verdadeira expansão do poder de Andariel. Jurei sempre defender a justiça no mundo, mas depois de meu fracasso, me encontrava presa dentro de um corpo que não me obedecia, conjurando pessoas mortas no cemitério e corrompendo minhas próprias amigas e irmãs, que tinham o intuito de me matar. Não havia nada que eu podia fazer. Alguém tinha que por um fim nisso, um fim em mim, pois passei três longos meses praticando estas ações demoníacas, corrompendo, conjurando e enforcando minhas próprias irmãs na grande arvore que havia no cemitério, que resistiam a minha corrupção.

Os momentos que tive com Amplisa foram memoráveis. Ótimos momentos que superaram a morte de nossa família, quando a irmandade do olho cego nos acolheu. Mas há pensamentos que ainda conseguem superar nossos bons momentos. Não são pensamentos bons, são pensamentos ruins, muito ruins. O maior deles é a lembrança da ferida na testa do guerreiro que conheci em Tristram. Parece que aquela imagem foi o ponto alto para que Andariel me corrompesse, pois senti um grande pavor ao ver aquilo, como se algo tivesse tirado toda minha esperança de viver, algo maldoso. Espero que um dia este tormento que assola minha vida acabe.

Meu sentimento de culpa estava cada vez mais forte. Pois eu olhava atrocidades que cometia sem meu consentimento, e minha alma chorava lagrimas de sangue ao ver que alguém se aproximava do cemitério com uma missão falha de querer me matar. Mas algo aconteceu. Algo que de certa forma me fez esquecer todos os maus momentos. Vi duas mulheres que pensei ser mais duas da irmandade do olho cego, porém uma delas parecia Hannah. Não, espere. Não era Hannah. Era Amplisa, minha irmã, vestida com uma armadura feita para as renegadas, acompanhada de uma mulher com um semblante sombrio, que empunhava um katar em cada mão.

Sim, é ela. Minha querida irmã Amplisa.
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"Não sabe a felicidade que tenho de ver você finalmente segurando o arco com firmeza, e puxando a flecha de maneira correta. Sei que você esta aqui para me matar, mas por favor, continue. Não agüento mais sentir minha alma neste corpo demoníaco, fazendo ações contra minha vontade. Não se importe comigo. Minha grande vontade era de lhe dar um grande abraço e dizer que te amo, mas as palavras que saem da minha boca são outras, palavras que este corpo diz enquanto dou vida a essas pessoas mortas.

Você cresceu e se aperfeiçoou. Usou dos meus rápidos ensinamentos enquanto treinávamos com arco e flecha para me imobilizar atingindo em meus pés, enquanto que senti o katar de sua amiga perfurando meu peito. Sim, graças aos céus, eu estou livre. Que este demônio queime nas chamas do inferno. Estou liberta desta maldição. Por favor minha irmã, sei que você não pode me ouvir, mas mesmo assim, mate Andariel por mim. Não deixe que a morte de sua querida irmã seja em vão. Vá, siga em frente com esta mulher guerreira que lhe acompanha e não deixe que a passagem para o leste se perca para sempre."

Despeço-me agora. A luz do paraíso é linda e resplandecente. Sentimentos de tristeza me tomam às vezes, mas não consegue se sobrepor aos meus sentimentos de felicidade, pois só de saber que minha irmã cresceu e ajudou a destruir todo a mal que assolava nosso mundo já é um grande conforto. Você é forte minha irmã. Conseguiu ser mais forte do que eu, e mandou Andariel de volta para o inferno, e fez atos heróicos e memoráveis, ajudando esta mulher guerreira a derrotar os três grandes males.

Me dói ver você sofrer com estes horríveis pesadelos, e ainda mais ver que a loucura esta lhe tomando conta. Por favor, não se de por vencida. Resista a essas tentações, pois do mesmo jeito que sua amiga me matou, ela será obrigada a lhe matar também para te livrar deste sofrimento. Não quero que minha irmã sinta a mesma dor que senti. Um dia nos veremos novamente, e ficaremos juntas para todo o sempre.

“Carta escrita por Isolde, também conhecida por corvo sanguinário no ano 1264, feita das páginas do tomo sagrado na biblioteca do destino”.
Editado por Limp#1964 em 29/07/2012 17:36 BRT
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muito bom, parabéns
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Onde vc viu isso ? Ou é sua criação ?
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