StarCraft® II

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Entrevista com Pedro "Pedroca" Beraldo

Entrevista com Pedro "Pedroca" Beraldo

Batemos um papo com Pedro "Pedroca" Beraldo, o narrador oficial do Torneio Invitational Latino-americano 2011, para sabermos um pouco mais sobre suas experiências com StarCraft II e seu trabalho envolvendo narração de partidas, além de outros detalhes em torno do cenário atual de eSports no Brasil.

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Quando e como foi seu primeiro contato com a franquia StarCraft?

Na época eu ainda era viciado em WarCraft 2. A "cena" multiplayer existia através de um guestbook em que a gente colocava nossos dados e telefone para jogar via modem (battle.net era um sonho...).

Certo dia fiz um amigo que, após uma sessão de jogatina, começou a falar do StarCraft.

"O quê? Um jogo futurista? Navinha espacial?" Eu sempre fui viciado em jogos com estilo fantasia/medieval. Torci o nariz por um bom tempo!

Depois de muita enrolação, o cara me convenceu a baixar o shareware do jogo. Só dava pra jogar de Terrano e acredito que era possível jogar apenas algumas poucas fases. Mesmo assim, daí em diante foi um caminho sem volta.

Eram meados dos anos 90 e os primeiros anos da franquia. Brood War ainda nem existia.

Tudo era muito diferente do que é hoje. A internet era muito instável, era um turbilhão de emoções jogar online, por motivos que iam além do jogo!

 

Qual foi sua inspiração para se tornar um comentarista de partidas de StarCraft II? Por quanto tempo você já está fazendo isso?

Essa história é boa. A vinda de StarCraft II foi uma das coisas pelas quais fiquei mais ansioso no mundo gamer. Após muitos anos da minha infância sendo dedicados ao primeiro jogo da série, a expectativa estava alta!

Quando saiu o primeiro release no site oficial do jogo, fiquei muito assustado! Tudo estava muito diferente daquilo que é hoje e do primeiro jogo da série. Passei alguns momentos de pânico, tentando assimilar que tantos anos de espera iriam resultar em frustração...

Enterrei aquilo no fundo da minha alma e um bom tempo se passou. Continuei minha vida gamer. Eu jogava World of Warcraft já a alguns anos, então continuei jogando-o.

Um bom tempo depois o youtube começou a oferecer mídia em alta definição e coincidentemente acabei caindo no canal do HDStarcraft. O StarCraft II já estava na sua versão Beta e o cara possuía um bom entendimento sobre o jogo. Fui fisgado e assisti compulsivamente aos vídeos dele.

Ora, não tem como fazer um trabalho melhor pra apresentar um jogo do que mostrá-lo no seu ritmo real, capturado com resolução tão alta que aparenta estar rodando no seu próprio PC.

Para mim, foi um dos melhores momentos do ano passado, pois vi que o jogo havia evoluído muito, além de ter retomado a essência do clássico. Em poucos dias já tinha encomendado minha Edição de Colecionador!

Certamente minha maior inspiração pra começar a comentar StarCraft II foi o trabalho do HD, que tem um estilo descritivo/analítico que a meu ver ressoa bastante com o meu.

Na mesma época, assisti muito Husky. Gostaria de falar que ele me influenciou, mas confesso que tenho dificuldade de acompanhar o nível de insanidade do cara. Mesmo assim gosto muito do trabalho dele.

Eu assistia esses caras, ficava super pilhado e falava “putz... acho que consigo fazer isso”. Um dia resolvi mergulhar de cabeça e assumir a empreitada para ver no que dava. Estou feliz com o resultado!

O Day[9], vários meses depois, foi uma influência muito forte, principalmente pelo fato de estar buscando um patamar de excelência. O cara é um monstro!

No cenário nacional minha maior influência foi o TAG, que, além de narrar e comentar, também joga muito bem (lembro que chegou a estar entre os 40 melhores jogadores da América Latina).

 

Qual é o foco de seus comentários? Você segue um estilo mais analítico ou prefere focar em algo mais casual?

Acho que meu estilo pode ser caracterizado como descritivo e analítico. O pessoal às vezes brinca comigo dizendo que podem minimizar a janela do jogo e continuar “enxergando” o que está se passando, assim como acontece com uma narração de futebol no rádio.

Mesmo assim eu gosto de me forçar a sair de minha zona de conforto pra explorar os diferentes estilos. Às vezes a gente não se segura, faz uma graça ou tenta passar um pouco de conhecimento para o pessoal que está começando. Enfim, tento variar o cardápio para não ficar limitado pela comodidade de um estilo mais natural.

 

Ser um comentarista requer bastante conhecimento sobre o jogo. O que você faz para adquirir e aperfeiçoar este conhecimento?

Não é possível ser um comentarista analítico se você não entende bem o jogo. E o único jeito de entender é estudando. Dá trabalho, mas vale a pena!

Quando comecei a me relacionar com o pessoal realmente bom no jogo, notei quão diferente é a mentalidade de um jogador iniciante comparada à de um jogador experiente. Todo o processo mental de tomada de decisão sobre "o que fazer" num dado momento do jogo é diferente de jogador para jogador.

Isso foi um safanão que me acordou para a realidade! Eu precisava melhorar bastante para fazer um trabalho de qualidade.

Acho que o pessoal vai se lembrar que eu era da liga Ouro quando comecei a narrar. Precisei de muito treino e da orientação de amigos mais experientes até que consegui chegar até a liga Diamante.

Estou longe de ser um jogador profissional, porém estou bem melhor agora comparado ao nível que possuía quando comecei.

Muito além de um símbolo de liga ao lado do nome, o aprimoramento de meu nível de jogo nesse período refletiu positivamente na qualidade do trabalho que eu podia oferecer à comunidade. Foi aí que veio a recompensa pelo esforço!

StarCraft é como xadrez! Não é possível melhorar significativamente sem treino. É importante treinar sob orientação para que você possa corrigir seus erros. Uma equipe ou clã pode ajudar bastante neste ponto, principalmente no início quando a orientação se torna bem mais relevante.

 

Quais são algumas das características que você acha que todo comentarista deve ter?

Acho que o ponto fundamental para um bom comentarista está ligado a capacidade de ser um bom comunicador. Cada um tem seu estilo, mas desenvoltura na narração é muito importante.

Ninguém entra no seu canal no youtube para morrer de tédio!

No mesmo plano, ter uma boa consciência daquilo que estão ocorrendo no jogo também é extremamente importantes.

O grande desafio do comentarista é interpretar o que o jogador está pensando com base naquilo que ele está fazendo e transmitir isso para seus ouvintes da maneira mais emocionante possível.

Desta forma, quanto maior o nível dos jogos a serem comentados, mais profundo deve ser o entendimento do comentarista, principalmente se ele se propõe fazer uma narração realmente analítica. Quando esta lógica não é respeitada, fatalmente o comentarista fala bobagem. Vejo isto como uma falta da parte do comentarista para com a comunidade.

Neste caso, o público que entende bem o jogo e capta a intenção inicial do pro-player acaba torcendo o nariz para o trabalho do comentarista. Ao mesmo tempo, o público que não entende o jogo muito bem e procura orientação num comentário experiente acaba acreditando na incoerência que ouve e acaba reproduzindo o erro por aí. Nestas situações a comunidade perde com o trabalho do comentarista quando, na verdade, deveria ganhar!

É por isso que muitos caras que alcançam mais sucesso como narradores e comentaristas ao redor do mundo não se limitam apenas a isto. Eles também são jogadores muito competentes. Day[9], Artosis e Tasteless possuem estilos bem diferentes e são ótimos exemplos.

 

Qual sua motivação para continuar interagindo com a comunidade brasileira de StarCraft através de seus vídeos e eventos?

Acho que a maior motivação é o carinho que a galera retorna quando aprecia nosso trabalho. É uma coisa que eu achava meio superficial e falso quando ouvia por aí, mas cada comentário, cada post, cada palavra de incentivo dão um baita de um gás para a gente continuar dando o melhor de si.

Em 2010, na época do concurso de comentaristas, eu estava terminando a faculdade e tinha que conciliar provas, sono, relacionamento. Se a galera não tivesse me apoiado, simplesmente não iria rolar!

Eu fiz uns 10-15 takes fácil, fácil, para aquele único vídeo do concurso. Repeti até achar que tinha ficado ficou bom. Seria injusto para a comunidade qualquer coisa abaixo disso.

 

Você pode nos dar uma ideia de como é sua rotina como comentarista?

Por conta do trabalho, é muito difícil eu me comprometer a fazer um evento semanal e nos fins de semana gosto de variar um pouco as atividades – namorar, me relacionar com meus amigos, praticar paintball e dormir.

Mesmo assim, o show tem que continuar!

Quer um exemplo? Há algumas semanas atrás, num sábado, Gruntar, Xuminator e eu madrugamos para produzir o TripleCast que botamos no ar. Foi o único horário que conseguimos coincidir nossas agendas.

 

Como você se prepara para fazer seus vídeos?

Atualmente, a comunidade participa muito no meu canal. Literalmente! Mais da metade dos replays que eu tenho narrado são enviados pelo pessoal que frequenta o canal.

É muito bom isso, sabe? A galera pilha junto com a gente, cada um dando uma força. Além desta colaboração ser sensacional, eu ainda ganho um tempo precioso.

Mas é claro que não saio gravando qualquer coisa. Tem replays que eu acho mais interessantes que outros. Faz parte do trabalho e consequentemente quem ganha é a própria comunidade!

Experiência também conta. A gente pega prática em produzir os vídeos e consegue mais resultadoscom menos esforço. Tanto durante a gravação, quanto na edição.

Eis um truque que aprendi com minhas (duas) aulas de canto: comer uma maçã para dar uma limpada na garganta e aliviar a rouquidão. Este simples truque é muito mais eficiente do que a gente imagina!

 

Qual conselho você daria para todos aqueles que querem ser um comentarista (ou estão tentando melhorar nesta área)?

Acho que o mais importante é ter um senso auto-crítico muito forte. Carisma é uma coisa que obviamente vai te ajudar, mas você tem que ter uma noção realista da qualidade do seu produto final.

A comunidade é um excelente termômetro. Casting não é como escrever poesia – você não pode simplesmente fazer um trabalho de qualquer jeito a título de “licença poética”. O seu trabalho é direcionado para a apreciação de quem está ouvindo e este fato deve ser lembrado como referência.

Também não estou dizendo que você precisa ouvir a primeira opinião que derem e segui-la à risca. Mas, sim, ficar atentos a elas pois uma opinião sincera tem muito valor e pode dar uma pista que ajudará a melhorar a qualidade do seu trabalho. Mesmo quando esta é uma crítica bem mordaz!

Não preciso dizer que caso você decida começar uma empreitada dessas, terá que aguentar pelo menos até o 2º tempo né?

 

Em sua opinião, qual foi a melhor partida que você comentou e por quê?

Acho que a partida mais incrível que já comentei foi CatZ vs KiLLeR no LA Invitational em agosto de 2011.

Foi um jogo muito disputado - os dois jogadores executando estratégias agressivas e muito multitasking. Foram muitos drops de infestadores, transições na composição de unidade, etc

O fim do jogo foi muito emocionante, com a vitória do KiLLeR seguida de muita emoção do próprio jogador, que não conseguiu se conter frente as câmeras de tanta felicidade por conseguir se recuperar da chave inferior do torneio e garantir seu lugar na Blizzcon. A partida foi muito emocionante e teve um desfecho épico. Quando o jogo acabou, todo mundo estava de queixo caído. Foi muita emoção!

À parte toda honra de estar narrando o evento diretamente dos estúdios da Blizzard em Irvine, CA.

 

O que você pensa sobre o cenário eSports no Brasil?

Quando eu comecei a jogar o StarCraft: Brood War, eSports era um conceito muito vago para mim. Eu sabia que existiam “uns coreanos doidos” que assistiam StarCraft na televisão, mas esta era uma realidade que estava extremamente distante. A coisa tomou outras proporções. Banda larga, meios de pagamento internacionais - a internet aproximou todo mundo. Todas as comunidades de interesse específico se fortaleceram. Com os gamers não foi diferente. A indústria de games é um mercado multimilionário, que apesar de estar disperso, acompanha os grandes eventos ao redor do mundo independentemente de geografia ou fuso horário. A virtualização quebrou a barreira entre a realidade dos games e os esportes convencionais promovendo seu aspecto em comum: o show.

Do ponto de vista de infraestrutura, temos tudo pronto para fazer a coisa acontecer por aqui. Temos a tecnologia e as pessoas, mas é necessário ser cuidadoso – o mercado dos games está se levantando gradativamente. A vinda do StarCraft II, sucessor do título que, na minha opinião é a expressão mais literal do conceito de eSports, gerou muita expectativa. O fato de o Brasil não ter virado a Coreia do Sul em 2010, do dia para a noite, frustrou muita gente. Há um forte ceticismo quanto ao crescimento da comunidade e do mercado, principalmente da parte dos gamers que hoje são adultos, tem profissão, família para cuidar, etc.

Não vamos nos esquecer que, para a Coreia se tornar a Meca do eSports que é hoje, dando margem à esta cultura, teve muita mão do governo envolvida. Aqui dependemos muito mais da inciativa privada, quase que exclusivamente. Pessoalmente, eu tenho convicção de que, com iniciativas de qualidade, e dando tempo ao tempo a comunidade cresce e consequentemente veremos sempre novos talentos surgindo. É aquele velho ditado: “não se esforçando demais na largada, para não cansar antes da linha de chegada”, 

Já tivemos a oportunidade de acompanhar vários eventos de qualidade neste primeiro ano de jogo. Alguns promovidos pela comunidade latina, outros pela própria Blizzard.  Um dos exemplos em termos de  maior visibilidade foi a realização Torneio Invitational Latino-americano 2011 que aconteceu recentemente e de cuja organização eu tive o privilégio e a honra de fazer parte.

Também é fundamental mencionar os torneios que movimentam a comunidade no dia-a-dia ou fizeram história neste primeiro ano. Sem estas iniciativas, nosso cenário de eSports ainda estaria dormente e nada do que falei neste artigo seria possível. Estou falando de torneios como o FortNightly, TDO, SGL, Xel’Naga Tour, etc. Sem contar no trabalho fundamental o trabalho de pessoas como os narradores Gruntar, Xuminator, TAGHeuer e os organizadores de eventos. A estas pessoas deixo minha saudação e um grande abraço!

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Gostaríamos de agradecer o Pedroca por ter cedido seu tempo para a realização desta entrevista. 

Não deixem de visitar os links abaixo para acessar o conteúdo referenciado na entrevista. Vale a pena conferir.

Concurso de comentaristas pt1 - http://www.youtube.com/watch?v=iXEpgx2syLo

Concurso de comentaristas pt2 - http://www.youtube.com/watch?v=zLywQ6CWavE

TripleCast #1 pt2- http://www.youtube.com/watch?v=34NiQZFM6EQ

LA Invitational coLCatZ vs dKiLLeR- http://us.battle.net/blizzcon/pt/tournaments/latam-regionals/matches/sc2/video-archive?bracket=1&round=3&match=0&linkIndex=2

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