StarCraft® II

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Um conto escrito por

James Waugh

Virgil Caine gritou para a escuridão. Durante a noite, ele encharcara o cobertor de suor e agora sentia frio por ter chutado as cobertas para longe do corpo nu.

— Virgil! — disse Rufi, agarrando seu braço e puxando-o de volta para a maciez dos travesseiros e de seus lábios. — Você está aqui, amor. Você está comigo. — Ela se aninhou ao ombro forte, os delicados cabelos loiros feito seda contra as pedras que eram os músculos dele. Virgil respirava sofregamente, quase arquejando. O peito subia e descia, e o coração batia acelerado.

— Diabo. Eu... desculpe, Ru... eu...

— Shhh. Quieto, amor. Eu sei. Eu sei.

Ao longo do ano em que começaram a flertar, ela tinha se acostumado com seus terrores noturnos... suas lembranças. Quando ficaram noivos, ela se comprometera a viver com aquilo. Acostumara-se a acordá-lo, enxugando as lágrimas de seu rosto, olhando para a terna incongruência de um homem daquele tamanho, tão forte, chorando enquanto dormia. Era só mais uma coisa que fazia com que ela o amasse. 

— É só que... os sonhos voltaram, amor. Não posso acreditar nisso. Eu sempre soube, mas... eu esperava que não, sabe?

E eu também, pensou ela. — Você não vai atender ao realistamento, Virgil. Você não precisa voltar. Eu falei para você. A gente decidiu: papai vai dar um jeito nisso. Vamos começar de novo. Ninguém vai saber quem é você. Ninguém precisa saber onde você esteve. Amanhã à noite, todas essas preocupações vão ficar para trás.

Ele pensou um pouco naquelas palavras antes de responder. Pensou na possibilidade de não ser o homem que enfrentara os zergs na Guerra de Castas, o homem que defendera sua posição contra onda após onda de zergnídeos durante aqueles longos meses e sobrevivera. Não sabia quem era sem aquela parte de sua vida, e a ideia de descobrir aquilo era uma das sensações mais aterrorizantes que já experimentara.

— Eu sei, Ru. Eu sei. Mas parte de mim... eu nunca fui de fugir.

— Você não está fugindo. Cacete, Mengsk já sugou o melhor de você. Agora ele tem soldados novos pra cuidar disso. O que ele já fez por você, afinal? Por nós? Papai pagou as suas cirurgias, não a Supremacia. Você pagou sua dívida e sabe disso. Quantas vezes você quase morreu, Virgil? Quantos amigos você perdeu?

— Eu não quero mais falar disso. — Ele estava pensando no relatório da UNN que vira antes de dormir. Nas imagens deles, uma horda inteira varrendo Tiria, sobrepujando linhas de soldados. Nos dentes e garras e no horrível zumbido harmônico que eles faziam ao avançar.

— O realistamento não é justo, Virgil. Não é. Você saiu do exército. Eles não têm o direito de chamar você de volta por causa de uma nova ameaça. Você estava lá há quatro anos. Deixe que outra pessoa cuide disse.

— Eu disse que não vou voltar, Rufi... e não vou.

Ele se inclinou e beijou a testa dela, como sempre fazia todas as noites quando desligavam as luzes para dormir. Puxou seu corpo pequeno para perto, e seu calor e maciez eram bons. Quando se separaram, ela passou o dedo pela grande cicatriz retorcida que descia do pescoço dele até o umbigo e depois tocou o dente de zergnídeo que ele usava no pescoço preso a uma tira de couro de skalet.

— Eu odeio isso. Você sabe que odeio quando você traz esse negócio pra cama. Machuca... Tira.

Ele sorriu. — Tudo bem. Eu vou tirar. — E assim o fez, deixando o item no criado mudo.

— Amanhã, nós vamos embora... e tudo isso vai ficar para trás. Além disso, eu também estou fazendo sacrifícios, Virgil. Vou ter que recomeçar do zero também. Deixar meus amigos, minha família. O papai.

— Eu sei.

— Agora vá dormir, grandalhão!

Depois que ela virou para o lado, Virgil ficou encarando o ventilador do teto. Ele girava e girava, lançando sombras afiadas contra as paredes escuras iluminadas apenas pela luz da lua amarela lá fora. Pensou sobre a nova vida que Rufi lhe oferecia. Salvação de tudo o que enfrentara. Ele se perguntou se, tendo enfrentado os zergs, perdido amigos para os zergnídeos e olhado nos olhos sinistros e vazios daquelas feras, conseguiria expulsá-los algum dia dos recessos de sua mente.