StarCraft® II

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Um conto escrito por

Michael O'Reilly and Robert Brooks

— Meu irmão nunca teve nenhuma chance — disse Feltz. O efeito dos esteroides tinha passado. A saturação química fazia sua voz tremer, mas as palavras ainda eram venenosas. — Nunca recebeu chance nenhuma, nem de você nem de ninguém.

— Você está enganado.

— Eu sabia no que estava me metendo. Eu estava preparado. Ele não. — O zumbido dos jatos do Exterminador ficou mais agudo. Feltz se preparava para agir. — E você também não. O Ceifador chegou. É hora do troco.

— Troco? Pelo quê? — Kejora apertou a pistola com força. — Ele ia ser executado, Feltz...

— Meu nome é Staton.

— Seu irmão era um criminoso, Staton, e não era muito esperto. Se ele tivesse um pingo do seu autocontrole, teria só passado umas duas semanas preso por furto — disse Kejora. — Em vez disso, ele matou dois civis por um punhado de créditos e não conseguiu fugir nem por três quadras antes de os policiais o prenderem.

— Ele era meu irmão. Merecia mais do que esse seu inferno pessoal.

— Meu inferno pessoal funciona — Kejora olhou para a sala, procurando uma saída. Só havia opções ruins, caminhos expostos. — Diga que não. Diga que eu não transformei você em um dos assassinos mais eficientes da galáxia.

— Parabéns por um trabalho bem feito, Diretor — disse Feltz. Os jatos em sua armadura zumbiam de forma inacreditavelmente alta naquele espaço fechado. — Toma aqui um presentinho como forma de agradecimento.

Kejora fechou os olhos. A mesa não o protegeria por muito mais tempo contra tiros contínuos. Não havia possibilidade de fugir sem topar com Feltz e sua linha de tiro.

Não havia saída.

O som ensurdecedor de uma pistola gauss preencheu a Central, e a superfície da mesa estremeceu e cedeu sob o impacto das balas. Uma outra P-45 abriu fogo.

E uma terceira. E uma quarta.

O quê?

O barulho cessou e Kejora ouviu uma armadura caindo no chão.

Ele permaneceu agachado.

— Diretor?

Era uma voz diferente e familiar. Kejora sorriu. — Lords?

Fumaça subia das duas pistolas gauss do Lisca. — Sim, senhor.

— Bom trabalho, aspirante. — Kejora se ergueu.

Feltz — não Staton, ele sempre seria Feltz na memória de Kejora estava tombado de lado; havia buracos de bala nas costas de sua armadura. Kejora ajoelhou-se perto de Feltz e removeu com cuidado a máscara e capacete do aspirante. Sangue arterial brilhante espumava a cada respiração arquejante, cada uma mais fraca que a anterior.

Os olhos de Feltz exibiam choque e confusão. Ele tentou virar a cabeça na direção do Lisca, e uma pergunta sem palavras borbulhou em sua garganta.

Kejora deu tapinhas no ombro de Feltz. De certa forma, o aspirante superara completamente todas as expectativas para o programa ao burlar a segurança da Casa de Gelo — ainda por cima com a mente atrapalhada pelas drogas numa situação de combate. Ele localizara e encurralara o alvo, superando inumeráveis sistemas de segurança projetados para impedir justamente aquilo.

Era prova de que a Casa de Gelo funcionava com aspirantes melhores. Se Kejora levasse essa ideia até o próprio imperador Mengsk, no mês seguinte teria uma classe melhor de detentos. O currículo necessitaria de alguns ajustes, claro, mas isso era esperado.

O outro exterminador encarou Feltz com uma expressão curiosa no rosto. — Por que eu fiz isso, senhor? Eu acho que ele era meu amigo.

Você é um exterminador, Lords — disse Kejora.

O Lisca ruminou aquilo em silêncio e observou os olhos de Feltz se apagando. Por fim, concordou.

— Eu faço o que for preciso.

Não há verdade a não ser na vitória. Todo o resto é pó, facilmente varrido para longe.
— Preceito Nº 9 da Casa de Gelo