[OFF] Olha que testemunho incrível pessoal!

Geral
Então, sei que não tem nada a ver com nosso amado jogo, mas creio que ajude a refletirmos sobre como nos relacionamos com o próximo, e como nos posicionamos socialmente. Podemos até de repente fazer analogias ou comparações entre classes sociais e as ligas da ladder. :)

Tá circulando no Facebook, e há alguns anos atrás a Globo fez uma reportagem abordando exatamente esta questão, e falando sobre a pesquisa. MAs para Facilitar, vou colar aqui:

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da
'invisibilidade pública'. Ele comprovou que, em geral, as pessoas
enxergam apenas a função social do outro. Quem não está bem posicionado
sob esse critério, vira mera sombra social.

Plínio Delphino, Diário de São Paulo.

O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou
oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,
constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres
invisíveis, sem nome'. Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu
comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma
percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão
social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de
R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição
de sua vida:

'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode
significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o
pesquisador.

O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não
como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP
passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme. Às vezes,
esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me
ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',
diz.
No primeiro dia de trabalho paramos pro café. Eles colocaram uma
garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha
caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra
classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns
se aproximavam para ensinar o serviço. Um deles foi até o latão de lixo
pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e
serviu o café ali, na latinha suja e grudenta. E como a gente estava num
grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei
o sabor do café. Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e
claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de
refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem
barata, tem de tudo. No momento em que empunhei a caneca improvisada,
parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:
'E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.
Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar
comigo, a contar piada, brincar.

O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aí
eu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo
andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na
biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passei
em frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida. Eu fiz todo esse
trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim. O
meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da
cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado. Fui almoçar,
não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.

E depois de oito anos trabalhando como gari? Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a
situações pouco saudáveis. Então, quando eu via um professor se
aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar
por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse
passando por um poste, uma árvore, um orelhão.

E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está
inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acredito que essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa.

Esses homens hoje são meus amigos. Conheço a família deles, freqüento a casa
deles nas periferias. Mudei. Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe.

Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo
nome.

São tratados como se fossem uma 'COISA'


Fonte: http://goo.gl/kYvuG

Vale muito a pena ler!

Cheers!
tenso msm..

aqui na minha cidade tem gente que deixa de comer para ir pro camarote do Carnatal

é foda a lavagem cerebral que passa de pai para filho pelas gerações, os valores se invertem msm.. e tem mt caso que o ricão é humilde e a esposa, que não é porra nenhuma, se sente superior aos outros e passa isso pra filha que vira uma patricinha fdp e por aí vai..
É necessário uma pessoa para o exercício da profissão de presidente da república.
É necessário uma pessoa para o exercício da profissão de gari.
Um trabalha tanto quanto o outro. Os dois são dignamente iguais.
Havoc esse depoimento é um achado impressionante. Acredito que o efeito prático disso é a mudança no paradigma social criado a partir daí. Devemos enxergar um ser humano como ele é, como ser humano e não como a função social exercida. O estudo dele, com embasamento científico e uma pesquisa de campo pra lá de traumatizante, o fez resolver o problema foco de sua pesquisa, mas acredito que esse "problema" tenha germe nas outras profissões também.

Às vezes, exigimos do profissional com curso superior a mesma qualidade que exigiríamos de um produto que acabamos de comprar. Assim, em nossa correlata expectativa confiamos que ele venha com um padrão de qualidade, constância e dinamismo própria do preço. Em outras palavras, o profissional (advogado, dentista, médica etc.) é colocado, enquanto expectativa social, de ser aquela função social, sem ser exatamente um ser humano com anseios, desejos, sonhos e sentimentos. Não sei se esse é exatamente o foco, só estou expondo a minha opinião aproveitando o gancho do assunto.

Aliás esse é um problema que eu experimentei na prática também. Fui advogado em um escritório falimentar aqui da minha cidade. A rotatividade de processos era muito grande porque as falências em que éramos administradores judiciais estavam espalhadas pelo estado todo. Havia um grande grau de abstração aos sentimentos dos advogados mais iniciantes que muitas vezes não apareciam nos processos, o nome do advogado titular ia, mas do advogado que realmente fez não, quase um trabalho de estagiário.

Havia uma concepção capitalista desenfreada (sem qualquer tipo de humanidade), um desrespeito aos profissionais que passaram por ali, demissões por motivo idiota que não correspondiam ao trabalho prestado pela pessoa. Assim, não importa se ela era eficiente, inteligente, prática ou se ela tinha contribuído para o êxito do escritório, se ela deixasse de corresponder um segundo sequer à expectativa do advogado titular, corria-se um grande risco de perder seu emprego, mesmo com família e filhos.

Depois dessa experiência, que não foi única porque já trabalhei em escritórios similares, desenvolvi como advogado, nojo da própria classe, nojo do judiciário em geral e dessa arrogância sem precedentes onde a vítima é o cliente, a sociedade e o próprio Direito. O resultado de uma lide, muitas vezes, é o resultado de uma batalha de egos e não de pessoas. Enfim, coisas destinadas a atender sua função social e não pessoas, propriamente.
Eu juro! sempre sou cordial com as pessoas, mas assima de tudo as mais simples, pois eslas são as melhores, num ambiente de trabalho eu procuro me aproximar delas. esse belo testemunho é a realidade isso acontece demais...uma pena!
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GhostAgent
06/02/2013 15:04Citação de GhostAgent
Depois dessa experiência, que não foi única porque já trabalhei em escritórios similares, desenvolvi como advogado, nojo da própria classe, nojo do judiciário em geral e dessa arrogância sem precedentes onde a vítima é o cliente, a sociedade e o próprio Direito. O resultado de uma lide, muitas vezes, é o resultado de uma batalha de egos e não de pessoas. Enfim, coisas destinadas a atender sua função social e não pessoas, propriamente.

Sou formado em direito, e concordo totalmente, pelos mesmos motivos acima larguei mão de direito.
Não precisava nem de uma tese de mestrado pra saber que vivemos numa sociedade que julga as pessoas pelo que elas têm (incluindo-se aí os títulos), e não pelo que elas são.

Eu procuro não me esquecer que talvez fosse um gari, ou um caseiro, ou um ajudante de pedreiro, se não tivesse tido as condições absolutamente privilegiadas que me possibilitaram uma formação acadêmica.
Infelizmente já passei por situações onde tentei ser o mais cordial e educado possível, e as pessoas, independente de classe social, revoltam-se pior que bixo do mato..

por isso eu não cumprimento qualquer um mesmo.. às vezes não cumprimento nem quem eu conheço.. nunca se sabe da educação de uma pessoa, e eu não vou arriscar meu dia pcausa desse tipo de gente..

se é gari, mendigo, advogado, psicólogo, professor, político.. f0da-se.. pra mim as pessoas na rua não existem mesmo..

só faço questão de cumprimentar apenas os melhores amigos e pessoas que são realmente de confiança..
Mas vamos ser sinceros, né? É claro que eu não vou desrespeitar, julgar ou deixar de ser amigo de ninguém pela classe social ou por qualquer título que tenha ou não tenha. Mas eu sei que pelo meu esforço eu mereço sim mais que algumas pessoas. Repito, todos devem ser tratados com dignidade, mas em relação a muitos outros aspectos da vida, cada um deve ter - e normalmente acabam tendo - o que merece.
06/02/2013 19:36Citação de LeeGall
Mas eu sei que pelo meu esforço eu mereço sim mais que algumas pessoas.


Eu li isso? o.0

GG!
Eu li isso? o.0

GG


Não entendi o espanto. ???
Isso ai acontence em outros setores, é claro, guardando as devidas proporções.
A maior doença nas empresas de hoje é tratar todo mundo como recurso humano e não como seres humanos.
Esse é um problema crônico em nossa sociedade.
abraço
06/02/2013 19:36Citação de LeeGall
mas em relação a muitos outros aspectos da vida, cada um deve ter - e normalmente acabam tendo - o que merece.
Claro claro, as pessoas tão na merda porque merecem, não por falta de oportunidades. Cada uma...
06/02/2013 18:48Citação de KheL
por isso eu não cumprimento qualquer um mesmo.. às vezes não cumprimento nem quem eu conheço.. nunca se sabe da educação de uma pessoa, e eu não vou arriscar meu dia pcausa desse tipo de gente..


Educação é coisa pessoal de cada um, se um não tem é problema dele, se você tem é mérito seu... Uma coisa não exclui a outra. Não é porque o outro não tem educação, que você não tem que ter. Isso não prova que você é diferente, só prova que é tão lobotomizado e/ou mala quanto o outro...

Chama-me do que quiser, eu faço questão de cumprimentar todos sim. Se a pessoa é indelicada, um verdadeiro trator social (ignorante, intolerante, etc.) isso é problema dela, ela que responda por isso.
06/02/2013 23:07Citação de Diego
Claro claro, as pessoas tão na merda porque merecem, não por falta de oportunidades. Cada uma...


Ei, não distorça o que eu falei. Eu não disse nada de que algumas pessoas merecem estar na m****. Se tu ler a frase inteira, tu vai perceber que eu disse "Repito, todos devem ser tratados com dignidade", o que é justamente o contrário de viver na m****.

Eu concordo contigo que algumas pessoas simplesmente não recebem oportunidade e que isso não está certo. Mas existem outras que recebem e não aproveitam ou não se esforçam o suficiente. Agora me diga, você não concorda que considerando que tenham oportunidades iguais, as pessoas que se esforcem mais devem ter um futuro melhor? E eu não tô dizendo que o resto têm que ficar na m**** ou serem desrespeitados (leia o meu outro post).
06/02/2013 19:36Citação de LeeGall
Mas eu sei que pelo meu esforço eu mereço sim mais que algumas pessoas.


"O mundo recompensa com mais frequência as aparências do mérito do que o próprio mérito."

François La Rochefoucauld.

"É melhor merecer as honras sem recebê-las do que recebê-las sem merecê-las."

Mark Twain.
Sociedade ipocrita esta em que vivemos...onde valores são trocados sem conciência nenhuma...maldito dinheiro que a cada dia que passa abre mais o abismo entre as classes sociais...o individuo sabe muito bem diferenciar o certo do errado...mas conciência poucos utilizam no dia a dia...apredi com a vida a respeitar e ser respeitado...lendo algo como isso que acabei de ler me deixa triste pois o DINHEIRO vai fazer isso continuar acontecendo...eu faço a minha parte e tenho certeza que quem nos lê vai refletir sobre o assunto...mas para os que não " VAIS MORRER E FEDER COMO TODOS E NÃO TERÁS AR CONDICIONADO NEM BOM AR E TÃO POUCO SEU DINHEIRO TE LIVRARÁ."
06/02/2013 12:50Citação de Havoc
Fingi ser gari por 8 anos


06/02/2013 12:50Citação de Havoc
para concluir sua tese de mestrado


mestrado duram uns 2 anos
Independente de merecer, esforço e ou qualquer outra coisa, nada justifica ignorar as pessoas!
Voce pode ser rico, apartir do momento que vc ignora uma pessoa, vc se torna pobre de espírito.
É necessário uma pessoa para o exercício da profissão de presidente da república.
É necessário uma pessoa para o exercício da profissão de gari.
Um trabalha tanto quanto o outro. Os dois são dignamente iguais.


Mas não vivemos num mundo digno, vivemos num mundo social.
Quem vive num patamar social maior, é mais bem visto, simples assim. ;)

Fingi ser gari por 8 anos


para concluir sua tese de mestrado


mestrado duram uns 2 anos


Conclusão: o cara gosta de sofrer/ser pobre. :p

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